A existência da theLvibe sexshop poderia ser explicada em uma frase: duas ex-namoradas continuaram um novo relacionamento. Um clássico.

Mas como sou uma sapatão emocionada, a existência da theLvibe sexshop vai ser explicada dedalhadamente.

Primeiro banner da The L Vibe Sexshop usado no site, Facebook e Orkut. Feito em 2011.

 

Quando um relacionamento termina, experiências ficam e um outro amor pode acontecer 

O ano era 2011 e duas lésbicas caminhavam pela Rua Riacuelo, na Lapa, Rio de Janeiro. Um histórico bairro de boemia, de magia, de encontros, de desencontros e liberdades. 

Cartão de visitas da The L Vibe com os Arcos da Lapa ao fundo. Foto de 2013.

Entramos no meu prédio (próximo aos Arcos da Lapa, construído em 1744) e chegamos na minha kitnet. A gente não precisava de um amplo espaço, a gente precisava de um espaço de acolhimento para atingirmos um espaço do maior êxtase de uma vida 🤯 

O nascimento da theLvibe sexshop, no dia 31 de agosto, último dia do Mês da Visibilidade Lésbica.

Naquele dia, a gente não tinha um planejamento, a gente não tinha um documento com modelo de negócio, a gente realmente não previa nada.

Foi só um bate-papo sobre como tivemos péssimas experiências tentando comprar sextoys enquanto namorávamos.
Os produtos sempre fálicos de qualidade duvidosa, atendimentos totalmente despreparados para as pessoas não hétero, produtos com embalagens sexualizando mulheres padrão. Era um mercado completamente machista e heteronormativo.

"E se a gente fizesse uma sexshop para lésbicas?"

E pronto.

De um lado, eu, uma jovem publicitária com bastante experiência em ecommerce, em marketing digital e atendimento a clientes e a motel; totalmente frustrada com ambientes corporativos e agências de publicidade.

Do outro lado, ela, uma jovem engenheira de computação inteligentíssima, com muito amor pra dar, super feliz com seu trabalho e esperançosa com seu futuro (hoje ela tem uma empresa Maravi[lhosa], e não sou só eu que estou dizendo.) 
 
Sabíamos beeem as dores de cliente e como tentar consertá-las. Tínhamos experiências pessoais e profissionais sobre sextoys, ecommerce, fornecedores e tudo o que faltava nas sexshops para que lésbicas, bissexuais, sáficas pudessem ter uma experiência de compra com entendimento, acolhimento e muita, muita atenção. Com produtos testados, aprovados e escolhidos a dedo.

Participação de Marcia Soares da theLvibe sexshop no podcast Maria vai com as outras, Revista Piauí, em 2018


Foi coisa de 1 hora, sério. A ideia, o desejo, a criação do CNPJ, do MEI e da URL do site.

Mas por que o nome The L Vibe?

Como já dito, o cenário era uma engenheira e uma publicitária ainda sem nenhum estudo de branding, sem a menor noção de que um nome em inglês e de difícil pronúncia não era a melhor idéia para uma loja brasileira, convenhamos né 😂

Imagem de divulgação da 1a temporada da série The L Word.

E o cenário audiovisual em 2011 tinha uma referência lésbica praticamente única: a série The L Word, de 2004, com 6 temporadas.

Pronto, foi assim. Já disse que foi coisa de 1 hora, né? 🥲

Os dias seguintes foram de muita alegria, motivação e tesão em amplo significado. Dias de resolver coisinhas burocráticas, criar site, buscar fornecedores, estudar, estudar muito.
Inclusive, a theLvibe foi o meu projeto de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) na graduação em Publicidade. 

Vista da janela da kitnet na Lapa em dia um especial. Primeiro escritório-casa da theLvibe.
(Arcos da Lapa lááá no fundo, à esquerda.)

O que parecia um experimento de uma cientista e de alguém querendo trabalhar com algo que fizesse sentido... deu muito certo!

Não teve ninguém rasgando sua CLT, foi tudo bem "desacelarado", como a vida poderia ser. Aquela coisa do orgânico: do falar, do recomendar, do incentivar. Muitos anos de boca a boca medieval do marketing.
Amigas recomendando para amigas, clientes desconhecidas recomendando para amigas... Indicações sempre na base do beijo, na base do amor.
Nunca fizemos um anúncio pago.
Totalmente cientes de que não é o "correto" para um e-commerce.

Primeira matéria sobre a The L Vibe na Revista do Jornal O Globo em 2013

A theLvibe apareceu em grandes mídias, como Jornal O Globo, Jornal O Dia, Universa do UOL, extinto iGay do iG, Revista Glamour, Revista Claudia, Canal GNT.
Foi beeem emocionante para aquela jovem estudante de publicidade que jamaaais imaginou poder criar uma empresa e aparecer em mídias tão famosas 🥲
E também foi beeem importante para a theLvibe ter credibilidade, ser uma empresa confiável e simples de se relacionar. E ficar cada vez mais conhecida por todo o Brasil.  

E lá se vão 15 anos vibrando

Sim, são 15 anos testando vibrador profissionalmente (e também pessoalmente, né 🔥). São 15 anos trabalhando para uma empresa que tem muito amor profissional e pessoal. São 15 anos de muito estudo, de muita troca afetuosa com clientes por todo o país.

São mais de 10 anos trabalhando somente para a The L Vibe (além de freelas bacanas). Sem mais precisar trabalhar para uma empresa que você não gosta, sem ter um chefe misógino e abusivo, sem ter uma esperança corporativa juvenil utópica (que já foi vivida com sucesso antes da The L Vibe).

Nunca pensei na The L Vibe como uma grande empresa, com muitas pessoas funcionárias, lojas físicas, sempre focando em crescer mais, em ganhar mais dinheiro.
Embora maior galera me falasse pra fazer isso risos. 

Somos beeem low profile: sim, a dona da sexshop é tímida, quietinha, muito caseira, nunca cogitou ser famosa na internet, em aparecer todo dia na tela do seu celular 🫣

Sucesso, pra mim, é ter alguma qualidade de vida, é ter tempo para cuidar da saúde, de estudar, de fazer exercício, de fazer arte. Isso sim é uma grande riqueza e grande privilégio que podemos ter.

Sigo tocando a theLvibe sexshop sozinha durante esse tempo. Opa, calmaí... essa frase é uma graaande mentira. Porque sempre tive muito apoio de pessoas amigas, de namoradas, de colegas, de pessoas conhecidas e desconhecidas, de jornalistas, de produtoras e da família.
E a base de apoio da minha sócia eterna, que lá em 2011, criou a theLvibe comigo e para mim: para que eu tivesse um trabalho tão feliz quanto o dela, fazendo clientes tão felizes quanto clientes dela ❤️

Deu certo! Estamos dando! 

 

Post escrito por Marcia Soares, criadora ativa da theLvibe sexshop.  

Contato: [email protected]